sexta-feira, 11 de março de 2011

UE acelera corrida por uma economia de baixo carbono

Notícias Quinta-Feira, 10 de março de 2011
JC e-mail 4214, de 10 de Março de 2011.

Comissariados divulgam relatórios sobre redução de emissões e
eficiência energética que detalham como seria possível estimular a
criação de empregos e o crescimento econômico ao mesmo tempo em que se
combate as mudanças climáticas.

A comissária climática da União Européia, Connie Hedegaard, lançou na
última terça-feira (7) o aguardado relatório Roadmap 2050, que explica
como seria possível reduzir as emissões de gases do efeito estufa em
80% até 2050, com relação aos níveis de 1990. A meta, considerada
bastante ambiciosa por especialistas, foi defendida pela comissária
como sendo "tecnicamente possível e economicamente viável".

Porém, para alcançar esse objetivo a União Européia teria que investir
€270 bilhões anuais, ou 1,5% do PIB, e adotar desde já a meta de 25%
para 2020, ao invés dos 20% que está em vigor. Essa mudança ainda é
incerta, com muitas autoridades afirmando que não é hora de colocar
ainda mais "amarras" nas indústrias do continente, que só agora estão
se recuperando da crise.

"Nós precisamos começar agora a transição para uma economia de baixo
carbono competitiva. Quanto mais esperarmos, maiores serão os custos.
O preço do petróleo está subindo e a Europa está pagando cada vez mais
por sua energia e se tornando mais vulnerável às crises e choques de
preços", afirmou  Hedegaard.

O Roadmap 2050 recomenda que depois dos 25% para 2020, a meta suba
para 40% até 2030 e 60% até 2040. Além disso, os cortes devem ser
feitos dentro do bloco e não através da compra de créditos de carbono
gerados por reduções nas emissões em países de fora da União Européia.

O relatório estima que a geração de energia pode ser totalmente livre
de emissões já em 2050, enquanto os transportes poderão alcançar 65%
de redução. Já as indústrias conseguiriam chegar a 87% graças a
captura e armazenagem de carbono (CCS) e processos mais eficientes. O
setor de serviços e as residências seriam capazes de atingir 91%.

"A boa notícia é que não precisamos esperar por novas tecnologias. Uma
economia de baixo carbono pode ser construída apenas com o
aprofundamento das atuais técnicas disponíveis. Nosso Roadmap fornece
linhas de ações que podem ser adotadas por governos e empresas para
que possam desenvolver suas estratégias e investimentos", resumiu
Hedegaard.

O maior lobby da Europa, o Business Europe, foi cauteloso quanto aos
passos que implicam em uma ação rumo ao corte das emissões maior que
20%. "Isso deveria ser analisado cautelosamente pelo impacto nos
negócios. Nós mostramos abertamente que não gostamos de um novo
corte", disse o presidente de assuntos climáticos do grupo Nick
Campbell.

Eficiência Energética

Outro opositor a metas mais severas para emissões - por achar que elas
afugentam as indústrias para a Ásia -, o comissário de Energia da
União Européia, Günther Oettinger, também aproveitou para divulgar o
plano de eficiência energética do bloco.

Segundo o plano, as autoridades públicas serão obrigadas a reformar 3%
dos seus prédios e instalações anualmente para que utilizem
eletricidade de forma mais racional. O setor público também terá que
levar em conta padrões de energia quando for comprar ou alugar novos
escritórios ou quando necessitar mercadorias e serviços.

Por sua vez, a iniciativa privada terá que se submeter a auditorias
sobre o uso de eletricidade, em troca receberão incentivos dos
governos para melhorar suas instalações.

Já as companhias de energia terão que auxiliar os consumidores a
utilizar melhor a eletricidade, seguindo o modelo britânico onde as
empresas de gás e energia são obrigadas por lei a cortar o consumo de
seus clientes a níveis pré-determinados.

A Comissão de Energia estima que essas medidas irão promover a
economia de até €1 mil por residência por ano, assim como aumentar a
competitividade da indústria européia e criar dois milhões de postos
de trabalho.

"Nossos dados mostram que precisamos intensificar nossas ações de
eficiência, senão a Europa não vai alcançar a meta de 20% de economia
energética até 2020. Além disso, políticas de longo prazo são
necessárias para garantir o avanço para uma economia de baixo carbono
até 2050 e para colocar a União Européia na vanguarda das inovações",
concluiu Oettinger.

(Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais)
fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76680

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