quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Interação entre ozônio e clima preocupa cientistas



Interação entre ozônio e clima preocupa cientistas

11/01/2011   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/PNUMA

As mudanças climáticas devem reduzir as temperaturas e o vapor d´água presente na estratosfera, acelerando a recuperação da camada de ozônio fora das regiões polares, mas reduzindo na Antártica e Ártico, conclui PNUMA

 

"Efeitos Ambientais da Redução do Ozônio e suas Interações com as Mudanças Climáticas: Avaliação 2010", publicado pelo Secretariado do Ozônio sob o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), detalha como a redução do ozônio afeta o clima e vice-versa.

A quantidade de ozônio na estratosfera pode ser afetada pelo aumento nas concentrações de gases do efeito estufa (GEEs) levando à redução das temperaturas nesta camada da atmosfera e acelerando os padrões de circulação, que tendem a diminuir o ozônio total nos trópicos e aumentar em latitudes altas e médias.

Mudanças na circulação, induzidas pelas variações no ozônio, também podem afetar os padrões de ventos e precipitação na superfície da Terra.

Cálculos demonstram que a redução gradativa dos clorofluorcarbonos (CFCs) devido à entrada em vigor do Protocolo de Montreal teve um efeito muito maior sobre a desaceleração do aquecimento global do que o corte nas emissões de GEEs decorrente do Protocolo de Quioto, demonstra o relatório.

O Protocolo de Montreal está funcionando, explica, porém ainda serão necessárias várias décadas até que o ozônio se recupere aos níveis de 1980. As estimativas melhoraram, sendo que as latitudes medianas devem presenciar a recuperação da camada de ozônio até meados deste século.

A situação é mais preocupante para as altas latitudes cobertas pelo buraco na camada de ozônio da Antártica, onde a radiação UV-B durante o final da primavera é cerca do dobro do que seria sem o buraco, suficiente para causar queimaduras solares. Nuvens e a presença de aerossóis também afetam o índice de radiação UV-B.

Ciência

O relatório demonstra claramente como estamos longe de conhecer completamente o sistema atmosférico e ressalta a dependência das medidas que serão tomadas para controlar a emissão de poluentes e de GEEs, que afetam o padrão das nuvens e a composição da atmosfera.

"As mudanças esperadas no ozônio e nas nuvens podem levar a grandes reduções no UV em altas latitudes, onde o UV já é baixo; e a pequenos aumentos em baixas latitudes, onde (o UV) já é alto. Isto pode ter implicações importantes para a saúde e os ecossistemas", enfatiza o relatório completando que com estas variações seria mais difícil alcançar os níveis ótimos de exposição ao UV-B para produção suficiente da vitamina D em altas latitudes, enquanto o risco de dano à pele aumentaria em baixas latitudes.

O PNUMA pondera que é importante aprimorar os atuais conhecimentos sobre o assunto já que "fortes interações entre a redução do ozônio e as mudanças climáticas e as incertezas na mensuração e modelagens limitam nossa confiança na previsão da radiação UV futura".

Como já é de conhecimento amplo da população, a exposição humana à radiação UV-B tem se mostrado um vilão na incidência de catarata e câncer de pele em muitos países.

Já nos ecossistemas, estudos indicam que o aumento da radiação UV-B reduz a produtividade das plantas em cerca de 6%. Além disso, as mudanças previstas no clima podem modificar a resposta das plantas e dos ecossistemas à radiação UV.

"Por exemplo, enquanto uma seca moderada pode reduzir a sensibilidade nas plantas ao UV, a diminuição da precipitação e aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas devem restringir o crescimento das plantas e comprometê-las na redistribuição de recursos para proteção contra a radiação UV e outros fatores climáticos", explica o relatório.

Outro fator importante são os efeitos combinados do clima e ozônio sobre a interação das plantas com pestes. O consumo de plantas pelos herbívoros (insetos) geralmente cai sob radiação UV-B elevada. A radiação solar UV-B também tem efeitos sobre a biodiversidade microbiana, com conseqüências para a fertilidade do solo e doenças nas plantas.

Nos ecossistemas aquáticos as interações também são muitas e precisam de mais estudos. Temperaturas mais acentuadas devido às mudanças climáticas tendem a reduzir a profundidade da camada superior do oceano, expondo os organismos a radiações maiores.

O aumento das concentrações atmosféricas de CO2 também contribui para a acidificação das águas, tornando organismos calcificados mais vulneráveis à radiação UV-B.

 

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