quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cidades são vilãs do efeito estufa, afirma estudo


 

 
Cidades são vilãs do efeito estufa, afirma estudo
 
Postado em Cidades Sustentáveis em 01/02/2011 às 15h25
por Redação EcoD
 
 
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Roterdã é uma das vilãs do efeito estufa/Foto: Ton Zjilstra
 

Em estudo feito pelo Banco Mundial e por pesquisadores da Universidade de Toronto, foi comprovado que as cidades são as grandes causadoras do aumento do efeito estufa no mundo. Elas já somam 80% do total de geração de gases estufa, tanto no consumo quanto na produção.

Pelas estimativas do estudo, intitulado "Cidades e as emissões de gases do efeito estufa: movendo-se adiante", para que 70% das pessoas que esperam viver em uma área urbana até 2050 consigam este feito, as cidades precisam mudar muito o comportamento quanto ao meio ambiente e os gases estufa.

Uma nova estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA) já aponta as áreas urbanas, que hoje contam com mais de 71 por cento de produção de energia relacionada aos gases estufa, com uma maior percentagem em 2030, 76 por cento, tornando estas emissões os maiores recursos nas perspectivas de produção de base.

Alguns exemplos da pesquisa, que estimou as toneladas de emissões de 33 países e 100 cidades deles, mostram como as cidades têm grande influência na geração de gases estufa mundial. No caso de Roterdã, que possui uma área portuária bastante movimentada, o valor per capita de utilização de CO2 é de 29.8 toneladas contra 12.67 toneladas de CO2 em toda Holanda.

As cidades chinesas também são exemplares. Elas, geralmente, possuem médias muito maiores de emissão estufa do que a média per capita nacional. Por exemplo, as emissões de Shangai são 12.6 toneladas de CO2 per capita, enquanto as emissões nacionais são 3.4 toneladas per capita.

A comparação entre as cidades de cada país também chama atenção. Enquanto em Denver, nos EUA, as emissões chegam a 21,5 toneladas anuais por pessoa, pela dependência do estado em relação aos automóveis, em Nova York o número cai para 10, 5, menos da metade.

Quanto às cidades européias, a pesquisa mostra que elas emitem menos do que cidades da América do Norte. Por exemplo, Paris lança 5,2 toneladas de CO2 no ar, quatro vezes menor do que a cidade de Washington, capital dos EUA.

Emissão e capital

Outra conclusão presente no estudo é a de que pessoas mais ricas emitem mais gases estufa do que pessoas pobres. Pelos dados do estudo, enquanto um morador da Austrália emite 25,75 toneladas anualmente, um cidadão indiano fica em apenas 1,33 toneladas por ano.

Quando comparada cidades ricas e pobres, a diferença pode ser ainda maior. Roterdã, na Holanda, que teve as mais altas emissões medidas na pesquisa, 29,8 toneladas, tem uma diferença de 372 vezes mais gasto com emissões estufa do que Rajshahi, em Bangladesh, com apenas 0,08 toneladas.

Para o pesquisador David Satterthwaite, pesquisador do Institute for Environment and Development e editor do jornal Environment and Urbanization, no qual a pesquisa foi publicada, há uma explicação. "Cidades com pouca indústria e maioria da população de baixa renda, inevitavelmente, têm emissões baixas por pessoa. Em muitos países, entre os moradores pobres, os níveis de consumo são tão baixos quanto o uso de gasolina e veículos a diesel".

A quantidade de emissões de cada país e cidade pode estar associada a dois fatores principais, segundo um dos autores da revista e especialista no assunto no Banco Mundial Daniel Hoornweg. "Um PIB menor é um sinal de que as emissões de gases do efeito estufa do país não são altas. A organização urbana é outro fator importante. Em Barcelona, na Espanha, menos emissões foram em grande parte impulsionadas pela eficiência do transporte público", explica. Cada morador de Barcelona emite 4,2 toneladas de CO2 por ano.

Para as cidades pobres, o desafio é manter os baixos níveis de emissão aliado ao desenvolvimento. Um transporte público eficaz e utilização de energia de baixo carbono podem ajudar no avanço sustentável desses locais.

Esforços feitos

Para Daniel Hoornweg, as mudanças devem vir dos governos e das pessoas. Porque a redução de emissões de GEE não depende apenas do governo, mas também da consciência das pessoas na mudança dos padrões de consumo. "Não vejo diferença entre governos e cidadãos. Temos o governo que merecemos", afirma o pesquisador.

O trabalho realizado pelo Banco Mundial e pela Universidade de Toronto atesta o esforço que já está sendo feito por alguns governos para a diminuição dos gases do efeito estufa. Mais de mil cidades dos EUA, por exemplo, já se comprometeram com a questão.Eles prometem cumprir ou até ultrapassar as metas do Protocolo de Kioto, ainda que o mesmo não tenha sido assinado pelo país.

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