quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Legislação ambiental é inviável para agricultor", diz Aldo Rebelo

Por Editor em 15/11/2010

"Legislação ambiental é inviável para agricultor", diz Aldo Rebelo:
Para Rebelo, a legislação ambiental está tornando a vida do agricultor
no Brasil uma coisa inviável
Créditos: AgBrA votação decisiva da polêmica reforma do Código
Florestal está na fila das pautas da Câmara dos Deputados que ficaram
congeladas devido ao segundo turno da eleição presidencial. O
surpreendente desempenho da senadora Marina Silva (PV-AC) na eleição
para presidente deu novo fôlego e ânimo aos ambientalistas contrários
às mudanças. Relator e principal líder do projeto que flexibiliza as
normas ambientais brasileiras em nome da agricultura, o deputado
federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) espera resolver a questão ainda este
ano.



Leia a entrevista publicada no jornal Brasil Econômico do dia 9 de
novembro de 2010.

BRASIL ECONOMICO: Acredita que a reforma do Código Ambiental será
votada ainda neste ano?

ALDO REBELO: A decisão é do presidente da Câmara. Eu não conversei
ainda com o Michel (Temer) sobre isso. Não tenho a mínima ideia de
como e quando vai acontecer. Prefiro votar o mais rápido possível.
Nada menos que 90% das propriedades rurais do país estão na
ilegalidade. Em alguns estados, como Rio Grande do Sul, esse número
chega a 99%. E ninguém apresenta alternativa para isso. Já há um
aumento grande no preço da carne e do feijão. As pessoas estão com
dificuldade no campo.

BRASIL ECONOMICO: Por que os preços aumentaram?

ALDO REBELO: Porque a legislação ambiental está tornando a vida do
agricultor no Brasil uma coisa inviável. É um desestímulo à produção.

BRASIL ECONOMICO: O deputado Ivan Valente (Psol-SP), que foi reeleito,
promete uma "guerra de guerrilha" na Câmara contra a reforma do
Código...

ALDO REBELO: Não tem guerra de guerrilha nenhuma.Eles não têm voto lá
em Brasília. O que eles têm é apoio de boa parte da mídia
internacional e das editorias de meio ambiente da mídia nacional, que
são formadas por jornalistas que não sabem o que acontece nos campo.
São todos lamentavelmente pautados pelas ONGs que recebem dinheiro
externo.

BRASIL ECONOMICO: Acha que existe muito radicalismo entre os
ambientalistas?

ALDO REBELO: Não é um problema de radicalismo. Muitas áreas ambientais
apoiam a regularização e compreendem a importância do Código. Mas
existem outras ONGs que defendem o interesse da agricultura europeia e
norte-americana. O problema deles é a concorrência do Brasil a estes
países ricos que têm uma agricultura altamente subsidiada. A
agricultura do Brasil tem custo menor e é mais competitiva. Trata-se
de uma questão de comércio internacional. Europeus e americanos
financiam essas ONGs para atuar em defesa de seus interesses. O
problema não é o radicalismo, é defender um interesse meramente
comercial.

BRASIL ECONOMICO: Que ONGs são essas?

ALDO REBELO: Recebem dinheiro da Europa. O Greenpeace, que é uma das
mais importantes, WWF, Conservação Internacional. Todas elas recebem
dinheiro do exterior.

BRASIL ECONOMICO: O deputado Ivan Valente, da Frente Ambientalista,
afirma que o senhor perdeu apoio da Contag e do MST.

ALDO REBELO: Não perdi coisa nenhuma. Pergunte aos Sem Terra. Ligue
para Diolinda no Pontal do Paranapanema. Veja quantos votos o Ivan
teve lá e compare com a minha votação. Por que se deve anistiar os
desmatadores? Existe uma anistia em curso no país que foi assinada
pelo Carlos Minc (ex-ministro do Meio Ambiente). Um decreto de
novembro de 2009, que criou o programa "Mais Ambiente", propõe perdoar
as multas de todos aqueles que se regularizarem. Eu só reproduzi o
mesmo texto do decreto do Minc.

BRASIL ECONOMICO: Ruralistas dizem que pode haver escassez de arroz.
Não é um exagero isso?

ALDO REBELO: Não é exagero. 75% do arroz produzido no Brasil esta na
ilegalidade. A legislação proíbe o arroz de várzea, que responde pela
maioria da produção. O decreto do presidente Lula adiou a entrada em
vigor da legislação até julho de 2011. Se até lá não for resolvido,
todo esse pessoal entra na ilegalidade.

BRASIL ECONOMICO: Sua votação caiu em 2010 em relação a 2006. Acha que
pode ser por suas posições?

ALDO REBELO: Se eu perdi é um paradoxo. Perdi no campo e ganhei na
capital, onde minha votação aumentou. (risos). Não tem nada a ver com
esse debate. Em 2006, eu era presidente da Câmara.

BRASIL ECONOMICO: Se ficar para no que vem, novos ambientalistas
prometem guerra de guerilha?

ALDO REBELO: Não tem guerra de guerrilha nenhuma, porque eles não tem
voto lá em Brasília. O que eles tem é apoio da mídia internaciomal,
editorias de meio ambiente da mídia nacional. São jornalistas que não
sabem o que acontece nos campo e são pautados pelas ONGs,
lamentalvelemnte. Tem é dinheiro externo nos bolsos das ONGs e apoio
de uma parte da mídia.

FONTE

Brasil Econômico
Pedro Venceslau - Jornalista

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